Quanto custa montar um eletroposto é a pergunta certa, mas não deve ser a única. Um investimento em recarga precisa responder também quem vai usar, quantas vezes, com que tempo de permanência e a que preço.
O investimento não é só a estação
Em um ponto DC, o orçamento pode incluir:
- estação e conectores;
- entrada de energia e proteção;
- transformador;
- obra civil e fundação;
- abrigo e sinalização;
- rede e plataforma OCPP;
- pagamento e autenticação;
- sistemas de segurança;
- manutenção e peças;
- capital de giro.
Quanto maior a potência, maior o peso da infraestrutura elétrica no custo total. Um orçamento que considera apenas o preço da estação está incompleto.
Receita e margem
As principais fontes de receita são:
- cobrança por kWh;
- cobrança por tempo;
- taxa de ativação;
- assinaturas;
- contratos com frotas;
- aluguel de espaço ou parceria de receita;
- benefícios indiretos para hotel, shopping ou estacionamento.
Em muitos projetos, o eletroposto não é a única fonte de valor. Ele aumenta permanência, diferencia o local e atrai clientes com veículos elétricos.
Fórmula básica
Uma estimativa simplificada:
Receita mensal = sessões × kWh por sessão × preço do kWh
Margem bruta = receita − custo da energia − taxas de pagamento
Resultado operacional = margem bruta − demanda elétrica − conectividade − manutenção − operação
Payback = investimento inicial ÷ resultado operacional mensal
O cálculo deve usar cenários de ocupação. Um hub planejado para 20 sessões por dia e que recebe cinco não tem o mesmo payback.
O erro de superdimensionar
Uma estação de 180 kW em um local onde os clientes permanecem 90 minutos pode passar boa parte do dia ociosa, enquanto a tarifa de demanda continua pesando.
O dimensionamento deve ser feito pela jornada:
- 20–40 kW para pausas médias e frotas leves;
- 60–80 kW para varejo, hotéis e eletroposto urbano;
- 120–240 kW para corredores e operações de maior giro;
- 360–600 kW para hubs especializados.
O que um bom site precisa ter
- visibilidade e acesso fácil;
- vagas sinalizadas;
- conexão estável;
- iluminação e segurança;
- banheiro ou comodidade próxima;
- compatibilidade com os veículos da região;
- suporte visível em caso de falha;
- possibilidade de expansão.
A experiência do motorista é parte da receita. Um ponto que exige vários aplicativos e oferece suporte ruim perde recorrência.
Como validar antes de investir
- Converse com proprietários do terreno e possíveis parceiros.
- Estude o tráfego e os veículos que já circulam.
- Levante a capacidade elétrica.
- Peça cotação de equipamento e obra.
- Modele três cenários de ocupação.
- Inclua manutenção e reposição.
- Comece com uma configuração expansível.
Para uma primeira etapa, um eletroposto pode combinar uma estação DC 60–80 kW com wallbox AC para permanência longa. Hubs maiores podem usar 120–240 kW.
Vale a pena?
Sim, quando existe demanda real e o projeto é dimensionado para ela. Não, quando o investimento nasce da expectativa de que “carro elétrico vai crescer” sem um plano de utilização.
Leia os complementos: custo de instalação, carregador comercial e como carregar um carro elétrico.
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